"Por quê?"



"Por quê?" - Não faça desta pergunta uma arma, a vítima pode ser você!

13 agosto

Decidir? Só quando necessário.



Cada vez que tomo uma decisão, morro um pouco. A própria palavra traz em si uma "cisão". E o pior: nunca se sabe se a decisão tomada terá sido a melhor, já que não nos é permitido saber aonde levariam os caminhos descartados. Por vontade, não decidiria nunca. Deixaria sempre a vida me levar e os ventos soprarem livremente. E, quando posso, é isso que faço mesmo, sem culpa e sem medo. Mas há ocasiões em que não há escolha a não ser escolher, ou seja, decidir.

Nem sempre é fácil lidar com tomadas de decisão. Mas a experiência e uma sucessão de tombos nos fornecem um elemento importante para isso: a razão. Sim, a razão. Não dê ouvidos a quem lhe diz: "Decida com o coração". Errado. Ouça o seu coração, sim, mas decida com a razão. Coração não sabe decidir, não sabe fazer cirurgias existenciais. É impreciso e se alimenta de sonhos. Na hora de decidir, é mesmo a cabeça (e fria) que entra em cena. E, ainda assim, como é difícil! Pelo menos para mim, que tudo faço para evitar arrependimentos futuros.

E quanto mais possibilidades à nossa frente, mais difícil será decidir. Prefiro que a vida me dê um número modesto de opções a uma enxurrada delas. Quando há a possibilidade de não decidir, é essa que escolho. Decido não decidir. Porém, quando é inevitável, quando a não decisão (que não significa indecisão, no caso) implica sabidamente permanecer em um problema, então encho-me de coragem e vou lá. E aí faço direito, "comme il faut". Nada de imediatismos, nada de açodamentos. É um processo longo porquanto irreversível. Pensar, avaliar, comparar, priorizar, autoconhecer-se, estimar: estes são os verbos. Com eles vou lá e faço o corte (ou os cortes) necessário, ciente de que estarei perdendo algo que nunca vou poder vivenciar, talvez até a melhor parte - como saber? Enfim, pode-se querer tudo, o que não se pode é ter tudo. O coração pode doer, que doa. Talvez passe, talvez não. O processo é duro, inexorável. Mas efetivo.

E, para finalizar, depois de pensar e pensar, se ainda houver dúvida, melhor não decidir. Decidir na incerteza é decidir errado. Tremeu? Recue. Oscilou? Espere. Se isto aconteceu, é porque a hora de decidir não chegou.